Agronegócio no Paraguai em 2026: oportunidades para brasileiros

O agronegócio no Paraguai é um dos setores mais atrativos para brasileiros que buscam expandir operações, diversificar patrimônio ou começar do zero fora do Brasil. O país é o quarto maior exportador mundial de soja, o décimo maior exportador de carne bovina e tem uma das cargas tributárias mais baixas do mundo para o setor agrícola. Para produtores rurais brasileiros que enfrentam juros elevados, custos crescentes e burocracia intensa no Brasil, o Paraguai oferece uma combinação que é difícil de ignorar: terra fértil, tributação simples e fronteira viva com o maior mercado consumidor da América do Sul.


O Paraguai em números — uma potência agrícola

Segundo o Banco Central do Paraguai, o agronegócio contribuiu com cerca de 25% do PIB em 2024, consolidando-se como um dos pilares da economia nacional. O Paraguai é um dos maiores produtores mundiais de soja, ocupando a quarta posição global, atrás apenas de Brasil, Estados Unidos e Argentina. Em 2024, o país produziu aproximadamente 10 milhões de toneladas de soja, destinadas principalmente a mercados como China, União Europeia e Índia. destinocde

Além da soja, o Paraguai se destaca na produção de milho — com cerca de 5 milhões de toneladas anuais, sendo um dos maiores exportadores da América do Sul — e trigo, com colheitas crescentes que atendem tanto o mercado interno quanto países vizinhos, como o Brasil. destinocde

O investimento estrangeiro cresceu 15% no ano de 2024, atingindo US$ 931 milhões. Os principais setores atrativos para estrangeiros têm sido agroindústria, energia, florestal e logística. No caso dos investimentos brasileiros, eles têm sido atraídos pelo agronegócio — soja e pecuária em particular — energia renovável e setor imobiliário. destinocde


Por que brasileiros estão migrando para o agronegócio paraguaio

A comparação entre produzir no Brasil e produzir no Paraguai é reveladora — especialmente para quem já tem experiência no campo.

Custo da terra

O preço da terra agrícola no Paraguai é significativamente menor que no Brasil — especialmente nas regiões em expansão como Canindeyú, San Pedro e Caaguazú. Enquanto uma hectare de terra agricultável no oeste do Paraná pode custar R$ 80.000 a R$ 150.000, no leste paraguaio é possível encontrar terras equivalentes por US$ 3.000 a US$ 8.000 por hectare — com potencial de valorização expressivo nos próximos anos.

Tributação favorável

O regime tributário do triplo 10 — 10% de imposto sobre renda corporativa, renda pessoal e IVA — é um diferencial competitivo, reduzindo os custos operacionais para empresas do agronegócio. No Brasil, a carga tributária sobre o produtor rural — considerando ITR, contribuição rural, FUNRURAL, ICMS e outros — é muito mais elevada e complexa. destinocde

Rentabilidade

Em 2024, o Paraguai recebeu cerca de US$ 700 milhões em IED no setor agrícola. A rentabilidade média do IED no país, de 13,6%, é uma das mais altas da América Latina, segundo a CEPAL. destinocde

Energia barata

Para operações agroindustriais que dependem de energia elétrica — irrigação, secagem de grãos, frigoríficos, processamento — a tarifa elétrica paraguaia a partir de Itaipu é um diferencial de custo que o Brasil não consegue oferecer.


Os principais setores do agronegócio paraguaio

Soja — o carro-chefe

A soja é o produto agrícola mais importante do Paraguai — e o que mais atrai brasileiros. As condições de clima e solo do leste paraguaio são semelhantes às do Paraná e do Mato Grosso do Sul, tornando a adaptação das técnicas de produção brasileiras relativamente simples. O ciclo de produção é bem estabelecido, os insumos são acessíveis e a cadeia de exportação está estruturada via Porto de Villeta e hidrovia.

As principais regiões produtoras de soja são Alto Paraná, Itapúa, Caaguazú, San Pedro e Canindeyú — com expansão crescente para o interior dos departamentos.

Pecuária bovina — o segundo pilar

O Paraguai é o décimo maior exportador mundial de carne bovina e tem uma tradição pecuária secular — especialmente nos departamentos de Concepción, San Pedro, Presidente Hayes e Boquerón. A criação extensiva é predominante, com raças adaptadas ao clima subtropical e subúmido do país.

Para brasileiros do setor pecuário, o Paraguai oferece terras mais baratas, menor custo de manutenção por cabeça e tributação favorável sobre a produção e exportação de carne.

Milho e trigo

O milho cresceu significativamente nos últimos anos — impulsionado pela demanda interna para ração animal e pela exportação para países vizinhos. O trigo tem colheitas crescentes e abastece parte do mercado de farinha do próprio Brasil — uma oportunidade interessante para quem quer produzir para o mercado brasileiro a partir do Paraguai.

Cana-de-açúcar e etanol

A produção de cana e etanol tem crescido especialmente nos departamentos de Guairá e Paraguarí. O Paraguai tem interesse em expandir sua produção de biocombustíveis — o que abre oportunidades para quem tem experiência no setor sucroalcooleiro brasileiro.

Erva-mate

A erva-mate é um produto tradicional paraguaio com mercado consolidado internamente e crescente no exterior. Para produtores do sul do Brasil acostumados com a cultura, é uma alternativa de diversificação com boa demanda.

Produção orgânica

A tendência por produtos sustentáveis está em alta, e o Paraguai está se adaptando a essa demanda. A produção orgânica certificada tem mercado crescente na Europa e representa uma oportunidade de diferenciação para produtores que querem fugir da concorrência com grandes produtores de commodities. Portal da Fronteira


Onde produzir — os melhores departamentos

DepartamentoVocação principalPerfil
Alto ParanáSoja, milho, pecuáriaMais desenvolvido, terra mais cara
ItapúaSoja, trigo, canaEquilibrado, boa infraestrutura
CaaguazúSoja, milho, mandiocaLogística central, crescendo
CanindeyúSoja, milhoFronteira com PR, custo menor
San PedroSoja, pecuária, erva-mateInterior, terras mais baratas
ConcepciónPecuária, madeiraTradição pecuária, norte do país
Presidente HayesPecuária bovinaMaior rebanho do Paraguai
BoquerónPecuária, laticíniosChaco, terras baratas, clima extremo

Modelos de entrada para brasileiros

Existem diferentes formas de participar do agronegócio paraguaio — dependendo do capital disponível, da experiência e do objetivo:

Compra de terra agrícola

A forma mais direta e com maior potencial de valorização patrimonial. A aquisição de terras rurais, especialmente na região do Chaco e no leste do país, representa um ativo real de valorização histórica consistente. destinocde

Atenção: a Lei 2.532/2005 proíbe brasileiros sem residência paraguaia de comprar terras rurais na faixa de 50 km da fronteira. Para quem não tem residência no Paraguai, a compra precisa ser em áreas fora dessa faixa — ou após regularizar a situação migratória.

Arrendamento de terra

Para quem quer produzir sem imobilizar capital na compra da terra, o arrendamento é uma alternativa. O mercado de arrendamento paraguaio é menos estruturado que o brasileiro mas existe — especialmente em regiões com maior presença de produtores brasileiros.

Cooperativas

Muitos brasileiros têm se juntado a cooperativas locais para maximizar o retorno sobre o investimento. As cooperativas menonitas de Boquerón são o exemplo mais consolidado — mas existem cooperativas agrícolas em diversas regiões do país abertas à participação de produtores estrangeiros.

Fundos de investimento ganadeiros

O investimento pode ser direto, na compra da terra, ou via fundos de investimento ganadeiros que gerenciam a operação e distribuem dividendos baseados na produção. É uma forma de participar da pecuária paraguaia sem precisar gerenciar a operação diretamente. destinocde

Agroindustria via Lei de Maquila

Para quem quer instalar uma unidade de processamento no Paraguai — frigorífico, esmagadora de soja, usina de etanol — a Lei de Maquila oferece tributação de apenas 1% sobre o valor agregado para produtos destinados à exportação. É um dos regimes mais favoráveis do mundo para agroindustria de exportação.


Desafios do agronegócio paraguaio

A análise honesta inclui os desafios — e eles existem:

Logística ainda é um gargalo

A dependência de infraestrutura precária de estradas e a proibição de bitrens limitam a capacidade de transporte da produção agrícola. O escoamento da soja depende fortemente da hidrovia — o que cria vulnerabilidade em períodos de seca intensa no Rio Paraguai. destinocde

Restrição de terra na faixa de fronteira

Como mencionado, brasileiros sem residência paraguaia não podem comprar terra rural nos 50 km da fronteira — o que elimina algumas das regiões mais produtivas e acessíveis para quem vem do Brasil.

Volatilidade climática

O Paraguai enfrenta ciclos de seca e inundação que afetam especialmente as regiões de várzea e o Chaco. O El Niño e La Niña têm impacto direto na produção agrícola — como ficou evidente em anos recentes.

Mão de obra técnica limitada

A disponibilidade de técnicos agrícolas, veterinários e engenheiros agrônomos qualificados é menor que no Brasil. Muitos produtores brasileiros levam sua própria equipe técnica — o que resolve o problema mas aumenta os custos iniciais.


O papel dos brasileiros na história agrícola paraguaia

A presença brasileira no agronegócio paraguaio não é nova. Desde os anos 1970, produtores rurais do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul migraram para o leste paraguaio — atraídos pelo preço da terra e pela fronteira próxima. Esses pioneiros, conhecidos como “brasiguaios”, transformaram regiões como Alto Paraná, Itapúa e Canindeyú em polos agrícolas de alta produtividade.

A segunda geração desses produtores hoje já está integrada à sociedade paraguaia — com cidadania, empresas, cooperativas e influência política. Eles são a melhor prova de que o agronegócio paraguaio funciona para brasileiros que chegam com disposição e planejamento.


O que esperar nos próximos anos

O agronegócio paraguaio deve continuar crescendo pelos seguintes fatores:


Perguntas frequentes

Brasileiro pode comprar terra agrícola no Paraguai?
Sim — com uma restrição importante: brasileiros sem residência paraguaia não podem comprar terra rural na faixa de 50 km da fronteira, conforme a Lei 2.532/2005. Fora dessa faixa ou com residência regularizada no Paraguai, a compra é livre.

Preciso morar no Paraguai para ter fazenda lá?
Não necessariamente — mas ter residência regularizada facilita a compra de terras, abre acesso a crédito local e simplifica a gestão. Muitos produtores brasileiros têm fazenda no Paraguai e moram no Brasil, com visitas regulares à propriedade.

Qual a produtividade da soja no Paraguai comparada ao Brasil?
A produtividade média paraguaia é ligeiramente inferior à brasileira — em torno de 3 a 3,5 toneladas por hectare contra 3,5 a 4 toneladas no Brasil. Mas o custo de produção menor e a carga tributária reduzida compensam essa diferença na margem final.

Existe financiamento agrícola no Paraguai para brasileiros?
O sistema de crédito agrícola paraguaio é menos desenvolvido que o brasileiro — sem equivalente ao Plano Safra. Muitos produtores brasileiros usam capital próprio ou crédito obtido no Brasil para financiar operações no Paraguai. O Banco Regional e o Banco Continental têm linhas para o setor agropecuário.

Posso exportar soja do Paraguai diretamente para a China?
Sim. O Paraguai tem acordos comerciais com a China e outros mercados asiáticos. A soja paraguaia é exportada principalmente via hidrovia até os portos argentinos e uruguaios, de onde embarca para a Ásia. Com a Rota Bioceânica, a rota pelo Pacífico vai se tornar uma alternativa.