Como chegar ao Paraguai: avião, ônibus, carro e fronteiras para brasileiros
Como chegar ao Paraguai é uma das primeiras pesquisas que um brasileiro faz antes de visitar ou se mudar para o país. A boa notícia é que o Paraguai é um dos destinos mais acessíveis da América do Sul para brasileiros — sem visto, sem passaporte obrigatório e com várias opções de acesso por terra e ar. Neste guia, você encontra todas as formas de chegar ao país, com os custos reais, tempos de viagem e dicas práticas fundamentais para não ter problemas na fronteira.
Documentos necessários para entrar no Paraguai
Como o país faz parte do Mercosul, o acordo bilateral entre o Brasil e o Paraguai é um dos mais favoráveis do continente:
- RG brasileiro ou Passaporte válido: Ambos são aceitos para entrar como turista por até 90 dias. O RG deve estar em bom estado de conservação e com foto que permita a identificação. CNH não é aceita para trâmite migratório (apenas para dirigir).
- Registro de Entrada Obrigatório: Mesmo sem a necessidade de visto, se você for passar da zona franca de fronteira ou permanecer no país, é obrigatório parar no posto de controle migratório (DGM) na entrada para carimbar o passaporte ou retirar a Tarjeta de Entrada. Entrar sem esse registro gera multa pesada na saída.
- Menores de 18 anos: Viajando com apenas um dos pais ou desacompanhados, necessitam de autorização judicial ou de viagem internacional emitida em cartório (com firma reconhecida por autenticidade) por ambos os genitores.
1. De avião — A opção mais rápida
O principal hub aéreo e único aeroporto com fluxo contínuo de voos comerciais internacionais de passageiros é o Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Luque (região metropolitana de Assunção).
- Voos diretos do Brasil para Assunção: As principais companhias que operam rotas diretas são a LATAM e a GOL (partindo de São Paulo/Guarulhos) e a Azul (com saídas de Campinas ou Curitiba).
- Tempo de voo: São Paulo -> Assunção leva entre 2h15 e 2h30.
Atenção sobre Ciudad del Este (CDE): O Aeroporto Internacional Guaraní, em Minga Guazú (região de CDE), opera quase exclusivamente para voos de logística/carga e aviação privada, não possuindo voos comerciais regulares de passageiros. Para chegar à região de CDE de avião, a melhor alternativa é voar até o Aeroporto de Foz do Iguaçu (IGU) do lado brasileiro e cruzar a fronteira por terra.
2. De ônibus — A opção mais econômica
O ônibus é a forma mais tradicional usada por brasileiros para ir ao Paraguai, com linhas regulares partindo de várias capitais e cidades do Sul e Sudeste.
- Principais rotas e empresas: Companhias como Viação Catarinense, Eucatur, Crucero del Norte e NSA (Nuestra Señora de la Asunción) operam trajetos direto para Ciudad del Este e Assunção.
- Tempos e custos estimados:
| Origem | Destino | Tempo Estimado | Custo Estimado |
| São Paulo (SP) | Ciudad del Este | 16–18h | R$ 250 – R$ 450 |
| São Paulo (SP) | Assunção | 18–22h | R$ 350 – R$ 600 |
| Curitiba (PR) | Ciudad del Este | 10–12h | R$ 180 – R$ 300 |
| Foz do Iguaçu (PR) | Ciudad del Este | 30–45 min | R$ 15 – R$ 25 (Linhas urbanas) |
| Campo Grande (MS) | Pedro Juan Caballero | 5–6h | R$ 100 – R$ 180 |
3. De carro — A opção mais flexível
Ideal para quem viaja com malas ou deseja liberdade de horários. Contudo, há exigências legais rígidas.
- Documentos do veículo: CNH válida, CRLV digital ou impresso, e a Carta Verde (seguro obrigatório internacional para terceiros no Mercosul). A Carta Verde deve ser contratada antes da viagem com corretores ou seguradoras e custa a partir de R$ 50 para períodos curtos.
- Aluguel de carros: A imensa maioria das grandes locadoras brasileiras proíbe terminantemente a travessia de seus veículos para o Paraguai em contrato. Se pretende cruzar de carro, utilize veículo próprio ou verifique exaustivamente se a locadora emite a autorização específica em cartório (o que é raro).
Principais pontos de entrada por terra:
- Foz do Iguaçu (PR) -> Ciudad del Este (Ponte da Amizade): A fronteira mais movimentada. O trânsito pode ser caótico em horários de pico comercial e vésperas de feriados.
- Foz do Iguaçu (PR) -> Presidente Franco (Ponte da Integração): Segunda ponte internacional da região, excelente alternativa para o fluxo logístico e para evitar os gargalos da Ponte da Amizade.
- Guaíra (PR) -> Salto del Guairá: O acesso é feito por terra através da Ponte Ayrton Senna (ligando o Paraná ao Mato Grosso do Sul) e seguindo pela rodovia até a fronteira de Salto del Guairá. Não há mais travessia de balsa pública neste trecho.
- Ponta Porã (MS) -> Pedro Juan Caballero: Fronteira seca. As duas cidades são divididas por uma avenida central. O acesso viário é direto, mas lembre-se de procurar o posto migratório caso vá estender a viagem para o interior do Paraguai.
- Porto Murtinho (MS) -> Carmelo Peralta: Acesso estratégico da Rota Bioceânica, interligando o Mato Grosso do Sul diretamente ao Chaco paraguaio através da Ponte Bioceânica.
Dicas práticas e limites de compras
- Cota de Isenção Fiscal: Ao retornar para o Brasil, o limite de compras isentas de impostos (por pessoa) é de US$ 500 para limites terrestres/fluviais e de US$ 1.000 caso o retorno ao Brasil seja feito por via aérea. Valores acima disso devem ser declarados eletronicamente à Receita Federal (e-DBV) para o pagamento do imposto de importação (50% sobre o excedente).
- Câmbio: A moeda oficial é o Guarani (PYG), mas o comércio nas cidades de fronteira aceita amplamente Real, Dólar e Pix. Evite trocar dinheiro com cambistas de rua; utilize cartões de conta internacional ou casas de câmbio formais.
- Horários de Pico: Para cruzar as pontes internacionais de carro ou transporte público sem pegar quilômetros de fila, tente fazer a travessia bem no início da manhã (antes das 6h30) ou no final da tarde/noite (após as 19h).
Preciso de passaporte para entrar no Paraguai?
Não. O RG brasileiro (Cédula de Identidade Civil) é perfeitamente aceito para a entrada de turistas, desde que esteja em bom estado e com foto atual. Atenção: CNH, certidão de nascimento ou carteiras de conselhos profissionais (como OAB ou CRM) não são aceitas para os trâmites de imigração.
Posso entrar no Paraguai de carro alugado?
Na prática, quase nunca. A imensa maioria das grandes locadoras de veículos no Brasil (como Localiza, Movida e Unidas) proíbe expressamente em contrato a saída de seus carros do território nacional. Dirigir o veículo para o Paraguai sem uma autorização formalizada em cartório pela locadora configura quebra de contrato e pode ser considerado apropriação indébita.
Quanto tempo posso ficar no Paraguai como turista?
Brasileiros podem permanecer por até 90 dias como turistas. No entanto, para que esse prazo seja legal, é obrigatório parar no posto da Dirección General de Migraciones na fronteira para registrar a sua entrada e carimbar seu documento. Se você passar do limite da zona franca de fronteira ou se hospedar em hotéis sem esse carimbo, estará irregular e pagará uma multa salgada ao tentar sair do país.
Qual é a cota de compras permitida ao retornar ao Brasil?
Depende de como você volta: se o retorno ao Brasil for feito por via terrestre, fluvial ou balsa (como cruzando a Ponte da Amizade), a cota de isenção é de US$ 500 por pessoa. Se você voltar de viagem internacional por via aérea, a cota de isenção é de US$ 1.000. Tudo o que passar desses limites deve ser declarado à Receita Federal brasileira.
Quais são os horários de funcionamento das fronteiras?
As principais pontes internacionais (Ponte da Amizade e Ponte da Integração, em Foz do Iguaçu) e as fronteiras secas funcionam 24 horas por dia, 7 dias por semana. Contudo, o comércio das cidades de fronteira (como Ciudad del Este e Salto del Guairá) costuma fechar cedo, por volta das 16h no horário local, e opera em ritmo reduzido aos domingos.